Infinito Particular
1 - Eis o melhor e o pior de mim
O meu termômetro, o meu quilate
Vem, cara, me retrate
Não é impossível
5 - Eu não sou difícil de ler
Faça sua parte
Eu sou daqui e não sou de Marte
Vem, cara, me repara
Não vê, tá na cara, sou porta-bandeira de mim
10 - Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular
Em alguns instantes
Sou pequenina e também gigante
Vem, cara, se declara
15 - O mundo é portátil
Pra quem não tem nada a esconder
Olha minha cara
É só mistério, não tem segredo
Vem cá, não tenha medo
20 - A água é potável
Daqui você pode beber
Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular
Arnaldo Antunes, Marisa Monte e Carlinhos Brown
Identifique a(s) afirmativa(s) correta(s) nas alternativas abaixo:
I. O título do texto evoca uma dicotomia, já que
aproxima um vocábulo relacionado à amplitude, multiplicidade, a outro
ligado à peculiaridade, singularização. Essa dicotomia é ressaltada em
vários versos, ao longo de todo o texto, denotando a coerência entre o
título e o texto em si.
II. Nos versos “Vem, cara, me retrate” (v. 3) e “Vem, cara, me repara”
(v. 8) apesar de não terem a mesma terminação, o segundo é uma retomada
da idéia contida no primeiro e, dessa forma, retratar pode ter o mesmo
sentido que reparar.
III. A idéia que perpassa todo o texto está relacionada à singularidade do ser humano.
Nesse sentido, ocorre uma valorização do interior em detrimento do
exterior, uma dissociação entre aparência e essência que pode ser
comprovada pelo versos “Não vê, tá na cara, sou portabandeira de mim” e
“Olha minha cara”.